Tudo/Alguma Coisa.
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Carioca que reside em Sampa City, vulga São Paulo
Jornalista em formação
Escritor em constante evolução
Poeta
Romancista
Cronista
Ser humano nas horas vagas
Contato: rhedy7@globo.com Orkut: Paulo Rhedy



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Mondo Redondo


O que é TSAC?

TSAC significa "Tudo Sobre Alguma Coisa". Esse título é a concepção que eu tenho sobre o Blog. É o Tudo (Poesias e Crônicas) Sobre, em cima de, alguma coisa (o layout meia-boca do blog).

Quem acompanha há mais tempo sabe que o TSAC já se chamou Tudo Sobre Qualquer Coisa. Isso é porque o layout não era meia boca, era horrível.

Aqui você encontrará poesia e crônica. Todos os Textos aqui postados são de minha autoria.

Deguste com parcimônia!

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[Terça-feira, Março 20, 2007]

Mudei.

Agora, você só me encontra aqui:

http://orhedy.blogspot.com/

http://telegramaninguem.blogspot.com/


Por Rhedy em 9:58 PM
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[Segunda-feira, Janeiro 22, 2007]

Um fim

Era apenas mais um dia qualquer,
Mais um casal semi-feliz de fábrica,
Que desfrutava de um cotidiano comum,
Talhado nos moldes habituais de todos nós.

Era apenas mais um fio de esperança,
Um jantar a luz de velas,
Que ele não compareceu,
Esqueceu-se sem esquecer num bar singelo.

Ao chegar,
A sala revirada,
A toalha da mesa amassada,
A comida esparramada.

Deu de frente com o que temia,
D´outro lado da porta, ela,
Deduziu a verdade,
Desgostou da realidade.

Encontrou-a em seus sentimentos
Entendeu o que era insustentável,
Enveredou-se em argumento refutável,
Entregou os pontos.

Um minuto para se achar,
Utópico era ir,
Ultrajado, resignou-se em sair,
Usurpou algumas fotos e seu destino seguiu.

Sabia que não poderia voltar
Somou todos os cacos da ruína,
Sentenciou-se ao caos que abomina,
Saber dizer, pela última vez, Adeus.


Por Rhedy em 9:27 PM
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[Sexta-feira, Janeiro 12, 2007]

Desordem

Desordem
Carros
Buzina
Motoqueiro
Farol.

Desordem
Papelada
Burocracia
Estagiário
Patrão

Desordem
Prefeito
Deputado
Presidente
Senador

Desordem
Filho
Tio
Mãe
Avô

Desordem
Na sala
Na cozinha
No quarto
No corredor

Desordem
Nos seus dias
Nas suas horas
Nos seus anos
Em um minuto

Desordem,
Caos,
Constante mudança,
É ser,
Ser humano.


Por Rhedy em 3:21 AM
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[Sexta-feira, Janeiro 05, 2007]

Outra vez.

Sabe como é,
Fica tempo sem ter nem ponto nem nó
Fica aquela falta enorme,
Sem medida,
Sem início,
Sem término,
Enfileirada em vários minutos,
É longa,
É cruel,
É sem remédio.

Dá no que dá,
Chantagem
Mas é chantagem com muito amor,
É chantagem com sabor do tempo,
Do último toque,
Do fenecer do final afago,
Do beijo tão demorado da despedida,
Da sua presença no meu corpo ainda viva,
Que permite um resquício,
Sobrevida,
Que dá assas a coragem,
Que dá flerte com a realidade,
Que me permite acreditar,
Acreditar em tê-la,
Outra vez.


Por Rhedy em 2:29 PM
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[Quarta-feira, Janeiro 03, 2007]

Inflamável

Espera é um veneno cruel,
Ela é um tudo,
Ela é o que restou para acreditar,
É uma única razão,
O tempo passa,
E ela não está.

Eu faria qualquer coisa para tê-la,
Eu só queria saber o que fazer,
A sua ausência é angustia,
Não há sinais,
Não há palavras,
Não há resquício de sim,
Ou de negativa,
Apenas o mistério,
A dúvida incontida.

Até a última palavra,
Até aquela reticência,
Até o seu olhar de verdade,
Até o seu sorriso desmistificado,
Até eu chegar do outro lado,
Fico insano,
Perco o rumo,
Sigo por outro plano,
Fico ilógico,
Passo só o outono,
Só para ignorar a ausência do seu toque,
Só para fragmentar a febre que me comove,
Para ter um pouco do seu holofote,
Fisgar seu carinho,
Assistir a você de camarote,
Viver o último sonho,
Aos pés do seu decote.


Por Rhedy em 3:24 AM
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[Segunda-feira, Janeiro 01, 2007]

Saudades

Às vezes a gente sente falta
Às vezes engolimos qualquer palavra
Pra saudade passar,
Pro tempo correr,
Pra ela logo voltar,
Pro sorriso a cara estampar.

Lembranças caem com um sabor denso,
Desabam sobre meus ombros desejos,
Firma-se na face o medo,
Ela volta?
Ainda quer?
Ainda olha a foto?

Como saber?
Não há palavra,
Não há poema,
Não há forma,
Não há grito,
Não há gesto,
Nem canções compostas em sete cordas,
Nada me dará a sua presença,
Não que eu mereça,
Eu só queria a certeza,
De um último toque,
Sorriso,
Um olhar,
Um sussurro perdido,
Algo que trouxesse você de vez pra mim.


Por Rhedy em 3:17 AM
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[Segunda-feira, Dezembro 25, 2006]

A mureta, o portão.

Todos os dias, ao final da tarde, eu subia na mureta que ficava ao lado do portão de casa, esperava meu pai chegar de seu dia maçante de trabalho, sempre cansado, com o jornal de baixo do braço, com suas calças fuligem, resultado do trabalho, papai trabalhava numa fábrica de pneus.

A camiseta, que de manhã era branca, voltava amarelada, a camisa volta só um pouco suada, já que ele tirava para o trabalho pesado, só a recolocava na hora de voltar, para não tomar sereno. Apenas sua boina cinza continuava intacta, sem efeito de suor, ou do trabalho, continuava em seu saudoso acinzentado.

Certas vezes papai chegava às 19h, outras às 20h. Havia dias que só chegava à meia noite, fazia hora extra, porque as coisas lá em casa apertavam e precisávamos de um dinheiro extra para agüentar o mês.

Meus pais não estudaram muito, papai havia feito até a quinta-série, já mamãe foi até a quarta. Papai teve que trabalhar cedo, vovô achava que a vida se aprendia trabalhando, estudo era cousa de gente fina, escola era luxo, homem que é homem tem que trabalhar desde novo, para ter um ofício quando criasse barba na cara.

Mamãe teve que largar a escola porque vovó havia falecido, por ser a mais velha, teve que cuidar de seus irmãos.

Ao contrário de meus avôs, meus pais só tiveram dois filhos, eu e minha irmã, que nascera apenas dois anos após o tempo que agora relato. Papai cresceu em meio a sete irmãos, já mamãe tinha cinco irmãos, sendo ambos primogênitos.

Mamãe me disse, certa vez, que mulheres não são primogênitas, porque a herança da família era transmitida para os filhos homens, pois as filhas passam a pertencer a família do marido, então, uma filha não pode ser a primeira da linhagem por não dar seqüência a família.

Isso sempre foi algo um tanto confuso para mim, já que as filhas da minha irmã são netas dos meus pais tanto quanto os meus filhos e também levam o nome de nossa família. Inclusive Rebeca, minha sobrinha, quando casou-se não alterou seu nome.

Mamãe sempre falava que aquele trabalho com produtos tóxicos, respirando aquela fuligem, papai acabaria adoecendo dos pulmões e morrendo. Papai dizia que era mais fácil a mamãe matá-lo, que casar-se foi um dos passos mais impensados que havia dado.

Minha mãe virava o rosto, voltava a cortar as cenouras e chorava escondida, engolia os sonhos, deixa a lágrima rolar e o rosto desfigurar de nervoso. Papai a abraçava e dizia que ele era viciado em tudo aquilo que o consumia. Tudo aquilo que o matava lhe despertava apreciação, como um cigarro, era a deliciosa sensação ao troco de esvair-se. Dizia ele que ela era o seu maior vício, vício que considerava incurável, vício que o levaria ao pior cólera, a venda da sua liberdade para estar com uma única mulher.

Ela lhe dava um tapa, chamava de cafajeste, que não adiantava concertar. Mas era só olhar em seus olhos que o beijava.

Papai se matava de trabalhar, mas se destruía fumando. Dizia que estava vacinado, sobrevivera à fuligem, então o diabo de um cigarro não o derrubaria. E realmente não o derrubou. Quem o derrubou foi o conseqüente câncer que adquiriu aos 56 anos.

Foi triste, eu já tinha os meus 19 anos, era época de natal, e como de costume, estava com minha irmã, que tinha 14, esperando-o voltar, para passar a ceia. Papai não conseguia largar a fábrica nem nas festas.

Mas, naquele dia ele não voltou. Ficamos até às 19h e ele não chegou. Então mandei Maria entrar, escurecia e ela sempre tivera a saúde debilitada. Esperei papai até à 1h da matina. Ele não voltou. Saí a procurá-lo naquela noite, mas a notícia chegou logo após a minha saída. Ele nunca mais voltaria.

Todo ano tenho aquela esperança de que ele ainda vai chegar, vai abrir o portão, vai mandar-me entrar e dizer que é tarde. Pena que daqui a pouco será a minha vez de voltar, já que depois de tanto tempo esperando inutilmente que não irá voltar, tudo que pude foi sentir a falta, e logo serei eu a criar uma lacuna.

Cheguei mais de uma vez a culpar o portão, a mureta, a espera ao invés da ação. Mas pouco mudaria qual fosse à substituição, o tempo chegou, ele se foi e restaram as lembranças das esperas à mureta ao lado do portão.

Descanse em paz, velho. Descanse fumando o maldito cigarro que lhe impediu de chegar ao último natal.


Por Rhedy em 10:58 PM
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[Sábado, Dezembro 09, 2006]

Declaração de amores incertos.

Hoje é aquele dia onde parece que perdi o mundo. Fica aquela sensação de que eu segurava o maior dos meus sonhos e ele se esfarelou entre meus dedos, esvaindo-se aos poucos, de forma dolorosa e instantânea.

Aquela voz me destrói. Foram horas preparando-me para ouvir aquele tom sério, despreocupado, tentando arrumar jeitos e trejeitos para parecer natural. Mal poderia esperar por um momento desocupado e vadio, que falasse da forma mais solta e risonha, desarmando meu corpo, minha mente, roubando-me embaraçados sorrisos.

Sonhos vão se despedaçar, sempre assim será. Difícil é algum realizar. Isso nunca saiu-me da mente. Então, pensei que poderia haver o mesmo do outro lado. Da mesma forma pode haver aqui um alguém disperso, exasperado, a mesma ventura pode se dar ai, d´outro lado.

Ilusão seria febril e saborosa, se a sua voz não estivesse tão despreocupada. Isso destrói, embala o medo e, a esperança, corrói. Então da angustia faço um jogo, deixo ser o que cair pelos dados e a chance de não ficar frustrado é de uma em cem, ao lançar dos dados.

Vezes acho que o incerto é, da vida, o lado mais cruel. Mas nem tudo está entregue ao sabor do inesperado. Construímos cada momento, cada sentimento, cada saudade, cada espasmo de alegria ao encontrar perdida pela casa, um traço de lembrança.

A necessidade de estar lado a lado, a falta do que nunca tivera, o desejo inconsolável daquele abraço, daquele beijo, daquela pessoa.

Pessoas dizem adeus; outras que tanto queríamos nem disseram 'oi', mas a falta, em qualquer um dos casos, é imensa. A falta é aquele espaço vazio que fica ao peito e martela violentamente cada um dos seus sentimentos quando você dá-se por si.

Eu só queria lhe dar uma flor. Queria saber se deveria fazer a barba ou não; um beijo seu para recordar, uma foto, um lugar, gostaria de ter outras lembranças, mas, acima de qualquer coisa, queria-lhe para entre os braços guardar.


Por Rhedy em 11:57 PM
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[Quarta-feira, Dezembro 06, 2006]

Na Paulista com a Bela Vista.

Passo após passo,
Um instante segue o outro,
Mas como conceber o futuro
Se o agora é hesitante?
Reluta em notar o tempo,
Reluta em entender o termo 'adiante'.

Estrelas brilham frente aos olhos,
Ignoram a vasilha vazia,
O vácuo do roncar da barriga não ouvem
Fulguram indiferentes ao farrapo só,
Seguem seu piscar ingrato,
Sem notar aquilo que ao chão está estirado.

Mãos calejadas,
Sujas,
Prostituídas pelos seus horizontes,
Feridas pelo seu tempo,
Tempo que sempre lhe falta,
Tempo para si,
Tempo para todos,
Tempo para mim,
Tempo para o tempo,
Tempo para perder tempo.

Em noites de chuva,
Encharcado
Faz guarda-chuva do coberto,
Deita-se junta ao cachorro sarnento que lhe é companhia,
E sonha com um pedaço de pão.


Por Rhedy em 11:09 PM
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[Segunda-feira, Novembro 27, 2006]

Cumpleaños

Hoje dou-me a liberdade de falar
Falar para mim
Falar por mim
Falar de mim.

Rumo,
Sigo,
Vou,
Mas em nenhum lugar estou.

Meu horizonte é pueril,
Caminho ao retrocesso do que no passado quis.

Meus sonhos caíram e se modificaram,
Meus passos rumo oposto tomaram,
Meus atos foram contrários ao que eu desenhei quando criança,
Eu fui um eu tão espontâneo que,
Nem mesmo eu,
Não pode-se prever.

Eu já quis ser herói.
Ter as glórias de ter feito pelos que nunca vi,
Queria ter sido o que não há em mim,
Eu queria pintar o sete,
Eu queria ser diferente,
Eu traçava os planos mais febris, inconseqüentes.

O tempo passou,
O Castelo, a maré, desmoronou,
E vi cada pôr-do-sol cair vadio.

Passaram-se os anos,
Vinte,
E hoje eu sei,
Não sou o que almejava ser,
Sou um todo errado,
Sou um anti-herói dos mais odiados,
Mas sei onde se desgastou cada grão da sofrida sola de sapato,
E digo,
Orgulho-me do pobre-diabo que estou.

É um auto-retrato orgulhoso,
Falso,
Mal tingido,
Argüido na madrugada d´um domingo,
Mas sincero ao pé de cada uma das minhas mil ilusões.

O tempo passou,
E mais ainda irá,
E mais irei mudar,
Mas o ponto que marco ao vigésimo oitavo dia,
Foi menos tristeza que alegria,
E por isso digo,
Pela primeira vez,
Este não será amargo dia.


Por Rhedy em 1:16 AM
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